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Julho 2026Carta Mensal

Volatilidade: o preço das oportunidades

O desconforto das oscilações é parte inevitável do mercado. Mas, para quem investe com método, liquidez e disciplina, a volatilidade também é a origem das melhores assimetrias.

A volatilidade costuma assustar o investidor. Ver preços oscilando, notícias mudando rapidamente e ativos de qualidade sendo pressionados no curto prazo gera desconforto. É natural: o ser humano não lida bem com incerteza, e o mercado, por definição, é um ambiente onde ela nunca desaparece.

Mas existe uma diferença importante entre volatilidade e risco permanente de perda. Volatilidade é a oscilação dos preços ao longo do caminho. Risco permanente é comprar mal, sem margem de segurança, sem entender o ativo ou sem capacidade de atravessar períodos difíceis.

Como costuma lembrar Warren Buffett, volatilidade e risco não são a mesma coisa.

Essa distinção é central para a forma como enxergamos investimentos.

Em momentos de maior instabilidade, o mercado tende a comprimir horizontes. Investidores passam a reagir ao noticiário do dia e aos movimentos de curto prazo. O foco deixa de ser o valor dos ativos e passa a ser apenas o preço que aparece na tela.

É justamente nessas fases que boas oportunidades costumam surgir. Quando tudo parece tranquilo, a sensação de segurança normalmente vem acompanhada de preços mais altos e menor margem de segurança. Quando o desconforto aumenta, os preços muitas vezes passam a incorporar cenários excessivamente negativos. Para quem tem liquidez, paciência e disciplina, esses momentos podem permitir a compra de bons ativos a preços mais interessantes.

Isso não significa comprar qualquer queda. Muitas vezes o preço cai porque o fundamento piorou. Outras vezes, a queda reflete mais medo, fluxo ou exagero do mercado do que uma mudança real no valor econômico do ativo. Separar uma coisa da outra é parte essencial do trabalho de gestão.

O mês de junho reforçou esse ponto. O ambiente global segue sensível à geopolítica, aos juros e às expectativas de inflação. No Oriente Médio, a assinatura de um acordo e a reabertura do Estreito de Ormuz trouxeram inicialmente algum alívio ao petróleo e ao mercado. Poucas semanas depois, novas tensões reacenderam a preocupação com a oferta global de energia e devolveram volatilidade aos preços.

No Brasil, o quadro também segue exigente. A Selic permanece em patamar elevado, a política fiscal continua no centro das atenções e a curva de juros ainda reflete prêmios relevantes. Esse ambiente pressiona ativos de maior duração, mas também cria distorções importantes entre preço e valor.

É nesse ponto que a volatilidade deixa de ser apenas um incômodo e passa a ser matéria-prima para o investidor disciplinado.

A gestão patrimonial não deve depender de previsões perfeitas. Não sabemos qual será a próxima manchete ou o próximo movimento do mercado. O que podemos controlar é a qualidade da carteira, o preço pago pelos ativos, a diversificação e a liquidez.

Como resume Howard Marks, não precisamos prever o futuro com precisão; precisamos estar preparados para diferentes cenários.

Por isso, seguimos com uma postura seletiva. Em renda fixa, os juros elevados continuam oferecendo boa remuneração. Em ativos reais e listados, a volatilidade tem aberto oportunidades pontuais, mas exige análise criteriosa. Em crédito privado, seguimos cautelosos. Em renda variável, mantemos preferência por ativos com bons fundamentos e margem de segurança.

A principal mensagem é simples: volatilidade não deve ser ignorada, mas também não deve ser temida de forma automática. Ela faz parte do processo. O investidor que tenta eliminá-la abre mão de retorno. O investidor que a enfrenta sem método corre o risco de confundir coragem com imprudência.

Mercados calmos costumam premiar a exposição. Mercados voláteis costumam premiar a preparação.

Seguimos atentos, seletivos e disciplinados. Não porque sabemos exatamente qual será o próximo movimento do mercado, mas porque preservar capital e aproveitar oportunidades dependem menos de prever o vento e mais de estar preparado quando ele muda.

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