Novembro 2025 — Carta Mensal
Um tributo a Warren Buffett
Sobre disciplina, simplicidade e o legado de Buffett para quem investe pensando em décadas, não em trimestres.

Warren Buffett anunciou sua despedida como CEO da Berkshire Hathaway depois de mais de meio século entregando retorno, disciplina e lucidez. Ele afirmou que pretende “go quiet” após 2025. É o fim de uma era e, ao mesmo tempo, um lembrete do que realmente importa em investimentos.
Na carta de saída, Buffett falou pouco de performance e muito de caráter: sorte, legado, responsabilidade e a obrigação moral de fazer o simples bem-feito. Ele reforçou que riqueza é ferramenta, não troféu; e que a missão de quem lidera é proteger acionistas e preservar valores.
O tom da despedida também foi fiel ao que ele sempre foi. Zero espetáculo, foco no essencial. Ele critica a ganância crescente dos executivos corporativos, defende governança séria e lembra que princípios não mudam com ciclos econômicos.
Apesar de repetir que não se deve apostar contra a América, Buffett deixou outro sinal importante ao manter a Berkshire com caixa recorde. Não é pessimismo — é preço. Quando até ele espera, fica evidente que o mercado americano está esticado, puxado pela euforia em torno da IA. Não precisa ser bolha para exigir cautela; basta estar caro o suficiente para não compensar o risco.
A despedida encerra uma carreira e reforça a lição que pesa mais do que todas: investir é sobreviver o bastante para que o compounding trabalhe a seu favor. Quem busca atalhos se perde. Quem respeita o processo colhe.
O tributo mais honesto ao maior investidor de todos os tempos não é repetir suas frases, mas aplicar sua disciplina. O resto é distração.
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