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Outubro 2026 — Carta Mensal

O mercado não espera

Em poucas horas, os mercados brasileiros incorporaram novas expectativas após o primeiro turno das eleições. Uma reflexão sobre a velocidade das reprecificações, a experiência colombiana e os fatores que sustentam nossa visão moderadamente otimista para a renda variável.

Homem de costas observa o horizonte de uma cidade a partir de um terraço

No primeiro pregão após o primeiro turno das eleições de 4 de outubro, o Ibovespa subiu 7,7%, o dólar caiu mais de 4% e os juros futuros recuaram expressivamente. Os preços mudaram em poucas horas, sem que nenhuma reforma tivesse sido aprovada.

Não foi o presente que mudou. Foi a maneira como os investidores passaram a enxergar o futuro.

Quando as expectativas mudam

Mais uma vez, parte das pesquisas subestimou o desempenho de um candidato da direita. Na véspera do primeiro turno, o Datafolha apontava Lula com 45% dos votos válidos e Flávio Bolsonaro com 42%. Nas urnas, Flávio terminou com 47,03%, contra 45,16% de Lula, repetindo a surpresa de 2022.

Os mercados preditivos trouxeram uma leitura diferente. Na noite anterior à votação, o Polymarket atribuía cerca de 64% de probabilidade de vitória presidencial a Flávio Bolsonaro. Em 10 de outubro, essa probabilidade implícita nos contratos havia subido para 88%. Embora sujeitos a oscilações e distorções, esses mercados oferecem uma leitura complementar das expectativas, distinta das pesquisas de intenção de voto.

O segundo turno, marcado para 25 de outubro, segue em aberto. As primeiras pesquisas mostram Flávio numericamente à frente, mas não definem o resultado. O novo Congresso terá maior representação de partidos de direita, com o PL formando as maiores bancadas. Aprovar reformas, contudo, ainda exigirá negociação.

Para os mercados, importa também como será conduzida a economia: equipe, articulação política e, principalmente, disciplina fiscal.

O mercado pode antecipar em um único dia os benefícios de transformações que levariam anos para acontecer. É na distância entre expectativa e execução que surgem oportunidades e riscos de frustração.

A experiência da Colômbia

A eleição colombiana deste ano oferece um paralelo. Em outra disputa polarizada, as pesquisas também subestimaram Abelardo de la Espriella, candidato de direita, que liderou o primeiro turno em maio e venceu Iván Cepeda, representante da esquerda, no segundo, em junho.

A Bolsa subiu 3,57% no primeiro pregão após a votação e acumulava quase 15% de valorização até a véspera do segundo turno. Houve uma correção expressiva após o resultado definitivo, mas o movimento não terminou ali: entre 29 de maio, último pregão antes do primeiro turno, e 9 de outubro, o índice COLCAP acumulou alta de 16,3%, enquanto o peso colombiano se valorizou cerca de 13,3% frente ao dólar.

O exemplo mostra que uma reprecificação pode durar meses, com correções no caminho, sem garantir trajetória semelhante para o Brasil.

Nossa visão para os investimentos

Na Phi Global, estamos moderadamente otimistas com a renda variável brasileira. Embora a Bolsa esteja mais cara do que antes das eleições, entendemos que a relação entre risco e retorno pode ter melhorado. Essa avaliação se apoia em três fatores.

O primeiro é o preço dos ativos. O Ibovespa negocia perto de 9,4 vezes os lucros esperados para os próximos 12 meses, abaixo da média histórica próxima de 10 vezes. Em períodos de maior confiança na política econômica, o mercado já negociou acima dessa média, embora juros, lucros e risco fiscal também influenciem os múltiplos.

O segundo é a perspectiva para os juros. Maior disciplina fiscal poderia reduzir os prêmios de risco e abrir espaço para cortes adicionais da Selic e dos juros longos, com efeitos positivos sobre empresas e crédito.

O terceiro é a baixa exposição à Bolsa. A participação da renda variável nos fundos locais está próxima de 6%, entre os menores níveis históricos, ante média de 8,1%. A recomposição das carteiras e eventuais fluxos estrangeiros podem ampliar a demanda por ações.

Esses fatores não eliminam os riscos eleitorais, fiscais e internacionais. Qualquer aumento de exposição deve respeitar o perfil de risco, o prazo, a liquidez e a composição da carteira de cada investidor.

O mercado não espera que o futuro aconteça. Ele tenta antecipá-lo. Investir bem exige avaliar não apenas o que pode acontecer, mas quanto desse futuro já está refletido nos preços.

Para receber nossas cartas mensais e acompanhar nossas perspectivas de mercado, entre em contato com a Phi Global.

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