Agosto 2025 — Carta Mensal
As velas e o mercado
Disciplina, ajustes de rota e serenidade: o que mantém o barco em movimento quando o vento muda.

Nos mercados, como no mar, a travessia é longa e exige mais do que um bom barco. É preciso conhecer os ventos — e, sobretudo, entender que o rumo raramente se mantém constante. Pequenos ajustes, disciplina e foco no essencial são o que permite avançar mesmo sob tempo instável.
É comum que investidores busquem a “vela perfeita”, que resolva tudo com velocidade e precisão. Mas, na prática, o que mantém o barco em movimento é quase sempre menos visível: um casco íntegro, uma tripulação disciplinada e um comando sereno, mesmo sob pressão.
Ao longo do ano, navegamos por diferentes condições. Fevereiro, março, abril e maio foram meses de ventos favoráveis para os mercados. Junho e julho trouxeram mais instabilidade: tarifas anunciadas por Trump contra o Brasil, incertezas fiscais e choques institucionais criaram um ambiente mais difícil para os ativos locais. O período reforçou a importância de preservar disciplina e capacidade de adaptação em diferentes cenários.
Nos Estados Unidos, a economia mantém resiliência. Emprego, consumo e inflação apontam para uma desaceleração gradual, sustentando a expectativa de cortes de juros ainda em 2025, embora sem pressa. Os ativos de risco responderam bem, mas o ambiente segue exigente e seletivo.
No Brasil, os balanços do segundo trimestre mostraram empresas adaptadas ao juro alto. Por outro lado, o risco fiscal voltou ao radar, com incertezas em torno da meta de superávit e da condução política do ajuste. Isso pressionou a curva de juros, especialmente nos vértices mais longos. O COPOM manteve a Selic em 15% ao ano — maior patamar em duas décadas. A expectativa era de que esse nível permanecesse elevado por mais tempo, com cortes graduais apenas adiante.
Voltando ao mar: é nas fases de vento fraco ou instabilidade que os navegadores experientes se destacam. Não forçam o rumo, nem entram em pânico diante da calmaria. Sabem que manter o barco estável é o pré-requisito para aproveitar os bons ventos quando eles voltam.
Seguimos com essa filosofia. Nosso foco está nos fundamentos, na valoração e na execução disciplinada. Evitamos atalhos. Porque, no fim das contas, o que costuma afundar o barco não é a falta de vento — são os erros de julgamento. E o que garante uma travessia segura é fazer o básico bem-feito, todos os dias.
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